Apoio e Canto

Apoio! Assunto polêmico no meio do canto e da técnica vocal, mas que o seu Voice Coach, Fernando Zimmermann, buscará simplificar nessa aula sobre o tema. Assista o vídeo a seguir e deixe seu comentário depois de mais essa aula! ;)

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  • Kreslin

    Caro Fernando, sou cantor lírico e popular. Francamente não ficou muito claro esse negocio da sustentação, principalmente no que se refere a origem e funcionamento. Me explico: o aparelho respiratório desde os primórdios do homem foi adaptando-se para a função da fala. Como você sabe, para poder falar ou cantar a respiração entra num processo de apneia parcial onde a normal expiração ou saída do ar dos pulmões é controlada para que as cordas vocais vibrem e produzam o som. Quem controla esse fluxo de ar? Para mim há duas opções. Na primeira, a mais comum entre os neófitos ou amadores na arte da locução ou do cantar, são as pregas vocais e os músculos e cartilagens entorno delas que suportam toda a pressão vinda dos pulmões empurrados pelo retorno do diafragma a seu estado normal ou de relaxamento; a segunda envolve a retenção controlada do movimento de retorno do diafragma para que exprima os pulmões gradualmente, aqui intervém os músculos intercostais, abdominais, reto-abdominais, pélvicos etc. É o que se conhece vulgarmente de apoio ou como você colocou, sustentação, termo que até faz sentido pelo fato do diafragma estar sendo conduzido controladamente, como um cavalo, pelas redes da musculatura que intervém no seus funcionamento, claro, tudo comandado pelos impulsos nervosos. Queiramos ou não, em algum lugar haverá a utilização da força. Na primeira, ela é direcionada para as pregas vocais e seus músculos vizinhos, o que é tremendamente prejudicial tanto para a saúde vocal como para o canto em si. Na outra, a força vai ter que ser exercida pelo diafragma e musculatura adjacente. O que sim é preciso, e aí vem toda essa parte da técnica, é treinar conscientemente o aprendiz a dar tônus a essa musculatura diafragmática- intercostal- abdominal e dosar a força conforme a necessidade para exercer bem a sua função. É como o aspirante a maratonista, não é de um dia para outro que ele estará apto para isso. Há que ter muito cuidado para que a força do apoio ou sustentação não seja exercida simultaneamente tanto nas pregas &cia, como no diafragma &cia. Caro amigo, o instrumento do canto somos nós e é por isso que é tão difícil conhecê-lo e domina-lo. Um abraço

    • Olá, Kreslin. Muito obrigado pelo comentário. Um prazer ter um cantor Crossover comentando sua experiência por aqui. Pressuponho que você deva ter tido um treinamento sólido no canto lírico. Ainda assim, sabia que apenas no Século XIX é que se começou a falar TANTO assim da importância do sistema respiratório e do seu “controle minucioso”? Foi através das ideias e tratados cunhados pelos Lamperti (Francesco, pai, e Giovanni Batista, filho) que se começou a falar sobre esse sistema de apoio ou suporte (como muitos outros falam por aí). Antes disso não se formavam bons cantores? Claro que sim! Mas sem esse enfoque exagerado. Além disso, eles cunharam conhecimentos apenas para um movimento pedagógico-vocal. Se você tomar por exemplo Beniamino Gigli, que nasceu no final do Século XIX, ele mesmo sempre afirmou: “Tão logo eu comece a cantar eu esqueço TUDO a respeito do meu diafragma e das minhas costelas”. E isso não se deve apenas pelo fato de ele ter treinado bastante e ter deixado tudo automático. Era uma escolha pedagógica, também. Ou seja: historicamente essa ideia de apoio não é unânime e tanto científica quanto didaticamente deixa muitos furos. Vou buscar explicar aqui. Primeiramente devo retomar a questão que você não achou muito clara, a do uso da palavra Sustentação. Como falei no vídeo, trata-se de Sustentar/Manter as condições da boa emissão, que sempre obedece ao trinômio a)Fluxo Aéreo/Coluna de Ar; b) Consistência de Pregas Vocais; c) Shape de Trato Vocal. Nenhuma estratégia que foque mais em um desses elementos em detrimento de outro é, de fato, uma estratégia para o desenvolvimento da voz cantada, que por sua vez só existe “em movimento” (espero que entenda esse conceito). Sobre o aparelho respiratório estar adaptado à fala, recorro aqui à falta de evidências científicas que sustentem essa afirmação. Na verdade as pesquisas em neurociências apontam para outro caminho. Explico. Ainda reside em nós uma porção do cérebro que é primitiva, chamado popularmente de cérebro primitivo mesmo, mas também conhecido por Sistema Límbico, que através do Sistema Nervoso Autônomo (esse conceito é importante aqui) controla nossos “instintos de sobrevivência”. Lembremos que Respiração, por exemplo, é controlada pela Amígdala, que pertence ao Sistema Límbico e pertence ao Sistema Nervoso Autônomo (do contrário teríamos que pensar o tempo inteiro em respirar). Essa relação da Respiração com o Cérebro Primitivo é muito importante, haja vista a Laringe fazer parte do Sistema Respiratório. Biologicamente, ela assume, portanto, um papel de proteção para que resíduos líquidos e sólidos não passem para o sistema respiratório. Não só isso, o fechamento glótico é importante para que se crie um “empuxo” interno para que possamos fazer força para carregar algo e/ou enfrentar alguma ameaça. É importante dizer que o cérebro primitivo vê muitas coisas como ameaça (ainda que não seja). Não à toa referenciamos o famoso “nó na garganta” quando estamos angustiados. Por ser uma estrutura primordialmente de proteção, a Laringe nos dá essa sensação por estar pronta para FECHAR a qualquer momento. Dá-se a isso o nome de Reflexo de Fechamento Glótico. E o que normalmente acontece é que a maior parte das estratégias de apoio nos impõem a um comportamento prestes a fechar exageradamente a glote. Ou seja: não estamos, de fato, adaptados à função social assumida pela laringe(fala e canto). Ainda estamos nesse processo e talvez aí resida a maior dificuldade de se aprender a cantar livremente haja vista o canto ser altamente psicossomático (mente e cérebro agindo o tempo todo sobre o corpo). Sobre a Apneia parcial, eu concordo com você, mas ao mesmo tempo devo dizer que não há consenso científico sobre o assunto. O próprio Sundberg traça diversos paralelos sobre esse assunto e é interessante ver como é inconclusivo e varia bastante de acordo com nível e método de treinamento. Mas é fato que as duas opções apresentadas por você como controle do fluxo de ar são válidas, sejam elas através das pregas vocais e a eficiência glótica (aqui mudo o termo propositalmente) ou através do controle das estruturas respiratórias. No entanto, devo salientar aqui que a eficiência gótica só se melhora com o treino vocal apropriado e bem direcionado. Já o controle das estruturas respiratórias se dá de forma indireta, uma vez que elas obedecem ao Sistema Nervoso Autônomo. É preciso dizer, inclusive, que o diafragma, por exemplo, não possui terminações nervosas. Logo não temos sensações diafragmáticas. O que temos, de fato, são sensações de mais ou menos ar em duas situações: a) dentro de nós (pulmões mais cheios ou mais vazios); b) quantidade de ar que sopramos. E é em cima desta segunda situação que me refiro como um dos elementos da sustentação: sustentar a ordem no cérebro para que mantenhamos a coluna de ar constante (e isso é assumido em diversos momentos por pesquisadores como Sundberg e Titze, ainda que possa oscilar a velocidade do ar). E você está certo ao falar que a sustentação acontece justamente por essa gentil condução do diafragma “como se fosse um cavalo” nas rédeas. Ou seja, você entendeu bem o conceito. Não gosto do termo apoio nem semanticamente, haja vista ele invocar a ideia de um peso sobre algo, como mencionei no vídeo. E isso, como expliquei, pode ser nocivo à liberdade glótica. Mas assumo que existe sim uma força mínima, um tônus, uma energia mínima necessária para a emissão 100% eficaz. Você está certo, mas há que se considerar que essa força não é oriunda de uma ordem direta, mas sim de uma permissividade para o instrumento trabalhe em suas plenas condições. Eis aqui, neste caso, algo muito mais didático para nossos estudantes. Não há imposição de que se force algo, mas sim que se percebam as forças necessárias para aquela emissão. É como se partíssemos de outro pressuposto, entende? E eis aí que nossos cantores poderão perceber qual o tônus ideal para cada tipo de emissão. Quando fazemos dessa forma, evitamos que o reflexo de fechamento glótico atue, pois inibimos a ação do cérebro primitivo sobre a glote como estratégia de proteção/preparação para algo que demande força e empuxo interno (sensação de pressão). Espero ter contribuído para seu conhecimento e agradeço a oportunidade de poder falar a respeito. E de fato, como nós somos instrumentos e instrumentistas, e nossos corpos e mentes são mais complexos do que sabemos, cantar é uma arte difícil mas ao mesmo tempo mágica. Obrigado pelo comentário e participação aqui no Blog. Abração!

  • Caroline Helena

    Acho que o problema da contração errada tem mais a ver com apertar a faringe e a falta de “apoio” rsrs apoio e contrapoio existem não dá pra negar. Dizer que cantar é respirar naturalmente é um pouco complicado porque todos tem a postura errada hoje em Dia.
    Mas entendo, sls está me chamando atenção e acho engraçado esses cantores liriicooozz que criticam o sistema. Kkk um abraço Aurora

    • Oi, Aurora! (Ou Caroline?) Tudo bem? Muito bom ver você por aqui! Obrigado pela visita e pelo comentário. Vamos por partes. 1) É claro que o sistema de apoio existe, como mencionei no vídeo. Mas esse sistema é muito mais automático do que se pensa. ;) Normalmente as contrações que a maior parte dos métodos de canto solicitam, acabam por contrair demasiadamente as estruturas laríngeas responsáveis pela adução das pregas vocais e fechamento da glote. Além disso, as sensações que se tentam transmitir são demasiadamente subjetivas, o que pode causar um nó na cabeça dos alunos que, na maior parte dos casos, acabam se apertando bastante. Eis aí que reside o perigo. Por isso, no método Full Voice, assumimos que a postura do simples controle do fluxo aéreo é muito mais eficaz no estudo da técnica vocal definitiva; 2) Não assumimos o termo contrapoio como algo válido pois nos soa a) um sobre-esforço de estruturas dos sistema respiratório ou musculaturas acessórias para causar mais pressão no sistema; b) um esforço extra da laringe para tentar compensar a falta de coordenação entre fechamento glótico e fluxo de ar; 3) normalmente o que as pessoas referenciam como falta de apoio é justamente, como mencionei no vídeo, a falta de eficácia do motor que são nossas pregas vocais; 4) O que trabalhamos não é mais SLS em sua totalidade (apesar de eu ter sido certificado no método), haja vista uma série de descobertas científicas que nos ajudam a delinear nossa pedagogia vocal. ;) Espero ter esclarecido. Mais uma vez obrigado por estar aqui. Abração!

  • Tatiane Gama Ribeiro Queiroz

    Depois que eu comecei a estudar no Full Voice consigo cantar frases mais longas sem perder o fôlego justamente por esse trabalho de controle do fluxo aéreo através do fechamento glótico (dosado)…incrível os resultados que eu estou tendo…..fazia tantos exercícios de respiração diafragmática e intercostal e nunca atingi esse resultado…estou cem por cento satisfeita!

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